quinta-feira, 28 de abril de 2011

Elle m’a laissé son coeur

Tomate em promoção... olha só... também, tudo verde... assim é fácil fazer promoção... Que cheiro bom... perfume e banho... adoro quand... uau, que linda. Ta, não olha direto, não olha direto... finge que não viu, finge que não viu... la la la la la... Quanto está a manga? Que bonitinha, essa... bem pequenina... que engraçado... manga tem formato de coração. Um coração bem vermelhinho com pequenas ocorrências verdes. Quase dá pra imaginar a pequena manga se encolhendo e se expandindo... tum, tum... tum, tum... ela está me olhando... ah, ta... só o que me faltava... certo que é imaginação minha... bóra pegar o arroz antes que fique tarde para chegar em casa. Bom, não custa nada dar uma espiada, né? hehehe... olha ela com a mesma manga que eu tinha visto... será que ela consegue enxergar o coração?

Hum... foi impressão minha ou quando tirei os olhos de lá ela tinha subido os seus na minha direção...? Há! Canto de olho... canto de olho... hum... ela pegou a manga... ta bem, pelo menos aquela manguinha pequenina terá uma companhia bem cheirosa nos próximos dias, ou horas... Cá estamos, senhor arroz... a ver... adoro escolher pelo número... quem dá menos...? Quem dá menos...? Aqui: adoro quando o primeiro dígito é um um. Conferindo... um, dois, três, pam, pam, pam... oito... ta bem, posso passar no caixa rápido. Acho que vou levar um chocol... olha ali quem vai passando pela porta... ah, não! Agora ela olhou, tenho certeza! Rápido, moço... “não, não precisa de sacola, obrigado”. Uff… esqueci meu troco. “Obrigado, moço, tinha esquecido”. “Para você também, até mais”. Para que lado será que ela foi...? Esquerda... direita... praça ou parada de onib... lá. Lá na parada! Espero que o dela não seja este que está passando. Cheguei. Cadê? Ah, não… Por que você tinha que pegar logo o primeiro que passou…? Oi?? Que será que ela quer dizer com este sinal? “No banco?” Putz… o ônibus foi e eu nem vi qual era o destino marcado nele… por que será que ela apontou o banco da parada? Isso aqui embaixo parece uma... manga?! E esse papelzinho...? “A mi también me parece un corazón... lo compré, es mío. Y te lo dejo a ti.”


sábado, 23 de abril de 2011

Sobre cartas y vuelos...

Em pleno processo de descoberta de Antoine de Saint-Exupéry, o aviador-escritor que foi um dos pioneiros do Correio aéreo mundial, co-fundador do primeiro aeroporto internacional do sul do Brasil, fomos incentivados por nossa pequena grande diretora a escrever um pouco sobre cartas e correios. Segue aí, depois da cartinha par avion.

Talvez, em pleno ano de 2011, o ato de escrever uma carta seja algo nostálgico, especial como é próprio do ato de parar para pensar de verdade em alguém a ponto de tentar colocar algo que é seu em um papel que viajará grandes (ou pequenas) distâncias para chegar até esta pessoa. A escrita é algo artesanal, um ato de amor, quiçá, de alguém que se dedica a um papel que será tocado pelas mãos do destinatário. Existem histórias de pessoas que antigamente colocavam seu perfume no papel. Outras beijavam o papel e deixavam suas marcas de batom nele. O destinatário receberia aquelas palavras e poderia sentir o beijo que foi enviado. Ele tem em suas mãos um beijo. Não é uma imagem bonita? Sabe aquela sensação de ver a Xuxa sentada em um monte de cartas jogando-as para cima e pegando uma delas – apenas uma, para desespero das outras? Imagina a felicidade de uma criança que tinha feito aquela carta com muito carinho e que agora vê sua “ídola” tocá-la? Engraçado que eu nunca escrevi para a Xuxa, sempre me pareceu uma coisa meio boba, mas ficava imaginando a felicidade de ter sua carta tocada por ela, mesmo que não tenha sido sorteada. Só tocada pela sua ídola. Não é o máximo que algo seu, que passou pela sua mão, que tem seu cheiro, seja tocado por alguém que você admira? Não é à toa que guardamos ainda hoje, na época da informação rápida e direta, a nostalgia e o romantismo da idéia de uma carta de amor. Afinal, escrever uma carta é, sob certo ponto de vista, um ato de amor. Com minha primeira namorada, tínhamos uma prática de escrever-nos cartas, mas com um diferencial: nunca passávamos a limpo. A idéia era deixar fluir para o papel coisas que estivessem na nossa cabeça no instante em que estávamos escrevendo, sem nos preocuparmos com erros gráficos, com letras imperfeitas ou algo do gênero. Assim estaríamos conectados de verdade – quem recebesse a carta – com aquele momento em que o outro escreveu. Não é uma imagem bonita? E como nada é em vão e tudo deixa marcas – principalmente as “primeiras namoradas”, ainda hoje levo comigo o ato de escrever em fluxo, sem parar muito para pensar, organizar ou medir palavras simplesmente porque este é o fluxo do meu pensamento no momento da escrita. Claro, com exceção de artigos, dissertações e cartas oficiais e técnicas ao governo de algum Estado – estas sim muito bem pensadas. Mas blog, cartas e bilhetinhos escondidos do professor no meio da aula não. Me pergunto hoje se ela sabe dessa importância toda – tudo o que veio do fato de um dia ter existido uma namorada que não passava a limpo. Não é uma imagem bonita?


Baobás, em breve.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

What melody will lead my lover from his bed?

Ao longo de todo o segundo semestre do ano passado, esse mesmo semestre onde eu estive afastado desse blog, e muitas vezes afastado de mim mesmo, e muitas vezes afastado das pessoas que gosto, e muitas vezes perdido, e muitas vezes sem conseguir me comunicar ou escrever a quem gosto, e muitas vezes com meu quarto bagunçado – o que reflete muitas vezes o meu estado de espírito –, algumas pessoas foram especialmente importantes no processo de resgate, recuperação e adaptação ao novo ambiente, outrora tão conhecido.


É assim mesmo, a vida essa. Às vezes a gente ajuda. Às vezes a gente é ajudado. Um dos meus principais anjos no ano que passou viu isso de perto.
A vi chegando e dizendo smile though your heart is aching e me disse que if I smile, maybe tomorrow eu descobriria that life is still worthwhile. Aí ela me mostrou como eu poderia ser livre e feliz depois de um momento difícil, e me lembrou como tocar violão e me re-ensinou a cantar e fez dupla comigo e se empenhou em falar em inglês para que nós dois tivéssemos mais vocabulário e me mostrou na prática, no dia-a-dia, o que significa ser amigo.


Pensávamos em preparar uma janta, um prato especial, esperando-a voltar de férias, quando ficamos sabendo que ela não viria, e que não poderíamos mais prever quando a veríamos. O que se seguiu foi absurdamente lindo em sua tragicidade: amigos. Só isso. Manifestações de amizade. Quando o mundo inteiro conspira em favor de alguém e envia muita energia positiva e o empurra em direção à recuperação. Emails, cartinhas e gatos lambedores de sovaco.


Hoje a recuperação avança super bem e logo a teremos borboleteando por perto novamente. Existe aquela máxima que diz que a gente não pode esperar para falar para as pessoas o quanto elas são importantes para nós. Bem, as pessoas que são importantes sabem de certa maneira que o são. Mas esse breve texto em um blog quase abandonado serve justamente como uma pequena declaração pública de amor e de amizade a alguém o qual desejo que esteja sempre próximo.


keep walking, borboleta.

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Uma viagem no ônibus

Ontem, no ônibus ainda, aconteceu algo inusitado: um bichinho subiu na minha mão. Era uma joaninha ou algo parecido. Meu primeiro impulso ao sentir seu toque foi dar um cascudo e jogá-lo longe, mas freei a ação segundos antes de fazê-lo e temi pelo destino do bichinho: estávamos em um veículo com ar condicionado completamente fechado, o que significava que eu não tinha condições de jogá-lo pela janela aliviando minha consciência por tê-lo devolvido à natureza, ainda que sabendo que ele estaria no asfalto sujeito a qualquer pneu desavisado. Ademais, se desse o cascudo, ele iria ao chão e não sairia daquele ambiente, podendo ser simplesmente pisado por alguém. Resolvi, então, mantê-lo caminhando entre meus dedos (o que não é fácil porque esse tipo de inseto nunca pára e é sua mão que precisa movimentar-se para que ele continue, enfim, caminhando em círculos sem saber) até o ponto de descer e deixá-lo em uma árvore. Isso passou a ser meu objetivo naquele instante, e a mulher que se sentou ao meu lado algumas paradas depois deve ter estranhado muito minha relação com meu novo amigo. Era uma ação meio autista: um cara sentado mexendo a mão enquanto um inseto caminha por ela. Mas isso não importava naquele momento, o que importava era o objetivo maior: deixá-lo a salvo em uma árvore quando descesse do ônibus. E foi o que fiz, por mais difícil que fosse levantar com o ônibus em movimento e segurar-se no pega-mão sem esmagar o bichinho que estava perto da minha palma – tudo isso ajeitando minha mochila e pedindo licença à moça aquela que estava do meu lado. Desci, coloquei-o na árvore. Missão cumprida. Então, enquanto ia para casa, começou a viagem: e se depois de tanto cuidado, ainda sentado no meu lugar no ônibus, eu perdesse o bichinho de vista? Sei lá, se ele entrasse pela manga da minha camiseta, como eu o tiraria de lá sem esmagá-lo? Ou pior, será que eu não teria um desses sobressaltos assustados que fazem espanar o local por onde o inseto acabou de entrar? Isso seria o seu fim, certamente. Ou ainda: Se na hora que eu tivesse levantado, o ônibus tivesse dado uma freada brusca, me obrigando a segurar repentinamente no pega-mão, esmagando o bichinho que, aí sim, estaria no centro da minha palma? Imagina a minha reação... imagina a reação daquelas pessoas que tinham acabado de presenciar uma inesperada interação entre homem e inseto. Quem ia começar a rir do homem, pelo seu trabalho mal-sucedido e sua estupidez? Quem deles iria sentir pena do bichinho que estava a um passo da sua liberdade? Qual homem, qual mulher iria compreender a seriedade do momento onde uma tentativa de resgate foi mal sucedida e a vítima havia se perdido para sempre...?
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