quarta-feira, 27 de abril de 2011

Elle m’a laissé son coeur

Tomate em promoção... olha só... também, tudo verde... assim é fácil fazer promoção... Que cheiro bom... perfume e banho... adoro quand... uau, que linda. Ta, não olha direto, não olha direto... finge que não viu, finge que não viu... la la la la la... Quanto está a manga? Que bonitinha, essa... bem pequenina... que engraçado... manga tem formato de coração. Um coração bem vermelhinho com pequenas ocorrências verdes. Quase dá pra imaginar a pequena manga se encolhendo e se expandindo... tum, tum... tum, tum... ela está me olhando... ah, ta... só o que me faltava... certo que é imaginação minha... bóra pegar o arroz antes que fique tarde para chegar em casa. Bom, não custa nada dar uma espiada, né? hehehe... olha ela com a mesma manga que eu tinha visto... será que ela consegue enxergar o coração?

Hum... foi impressão minha ou quando tirei os olhos de lá ela tinha subido os seus na minha direção...? Há! Canto de olho... canto de olho... hum... ela pegou a manga... ta bem, pelo menos aquela manguinha pequenina terá uma companhia bem cheirosa nos próximos dias, ou horas... Cá estamos, senhor arroz... a ver... adoro escolher pelo número... quem dá menos...? Quem dá menos...? Aqui: adoro quando o primeiro dígito é um um. Conferindo... um, dois, três, pam, pam, pam... oito... ta bem, posso passar no caixa rápido. Acho que vou levar um chocol... olha ali quem vai passando pela porta... ah, não! Agora ela olhou, tenho certeza! Rápido, moço... “não, não precisa de sacola, obrigado”. Uff… esqueci meu troco. “Obrigado, moço, tinha esquecido”. “Para você também, até mais”. Para que lado será que ela foi...? Esquerda... direita... praça ou parada de onib... lá. Lá na parada! Espero que o dela não seja este que está passando. Cheguei. Cadê? Ah, não… Por que você tinha que pegar logo o primeiro que passou…? Oi?? Que será que ela quer dizer com este sinal? “No banco?” Putz… o ônibus foi e eu nem vi qual era o destino marcado nele… por que será que ela apontou o banco da parada? Isso aqui embaixo parece uma... manga?! E esse papelzinho...? “A mi también me parece un corazón... lo compré, es mío. Y te lo dejo a ti.”


sábado, 23 de abril de 2011

Sobre cartas y vuelos...

Em pleno processo de descoberta de Antoine de Saint-Exupéry, o aviador-escritor que foi um dos pioneiros do Correio aéreo mundial, co-fundador do primeiro aeroporto internacional do sul do Brasil, fomos incentivados por nossa pequena grande diretora a escrever um pouco sobre cartas e correios. Segue aí, depois da cartinha par avion.

Talvez, em pleno ano de 2011, o ato de escrever uma carta seja algo nostálgico, especial como é próprio do ato de parar para pensar de verdade em alguém a ponto de tentar colocar algo que é seu em um papel que viajará grandes (ou pequenas) distâncias para chegar até esta pessoa. A escrita é algo artesanal, um ato de amor, quiçá, de alguém que se dedica a um papel que será tocado pelas mãos do destinatário. Existem histórias de pessoas que antigamente colocavam seu perfume no papel. Outras beijavam o papel e deixavam suas marcas de batom nele. O destinatário receberia aquelas palavras e poderia sentir o beijo que foi enviado. Ele tem em suas mãos um beijo. Não é uma imagem bonita? Sabe aquela sensação de ver a Xuxa sentada em um monte de cartas jogando-as para cima e pegando uma delas – apenas uma, para desespero das outras? Imagina a felicidade de uma criança que tinha feito aquela carta com muito carinho e que agora vê sua “ídola” tocá-la? Engraçado que eu nunca escrevi para a Xuxa, sempre me pareceu uma coisa meio boba, mas ficava imaginando a felicidade de ter sua carta tocada por ela, mesmo que não tenha sido sorteada. Só tocada pela sua ídola. Não é o máximo que algo seu, que passou pela sua mão, que tem seu cheiro, seja tocado por alguém que você admira? Não é à toa que guardamos ainda hoje, na época da informação rápida e direta, a nostalgia e o romantismo da idéia de uma carta de amor. Afinal, escrever uma carta é, sob certo ponto de vista, um ato de amor. Com minha primeira namorada, tínhamos uma prática de escrever-nos cartas, mas com um diferencial: nunca passávamos a limpo. A idéia era deixar fluir para o papel coisas que estivessem na nossa cabeça no instante em que estávamos escrevendo, sem nos preocuparmos com erros gráficos, com letras imperfeitas ou algo do gênero. Assim estaríamos conectados de verdade – quem recebesse a carta – com aquele momento em que o outro escreveu. Não é uma imagem bonita? E como nada é em vão e tudo deixa marcas – principalmente as “primeiras namoradas”, ainda hoje levo comigo o ato de escrever em fluxo, sem parar muito para pensar, organizar ou medir palavras simplesmente porque este é o fluxo do meu pensamento no momento da escrita. Claro, com exceção de artigos, dissertações e cartas oficiais e técnicas ao governo de algum Estado – estas sim muito bem pensadas. Mas blog, cartas e bilhetinhos escondidos do professor no meio da aula não. Me pergunto hoje se ela sabe dessa importância toda – tudo o que veio do fato de um dia ter existido uma namorada que não passava a limpo. Não é uma imagem bonita?


Baobás, em breve.

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