terça-feira, 28 de setembro de 2010

e se...?

E se você estivesse sozinho numa biblioteca enorme, fazendo um trabalho chato, mas mesmo assim conseguindo divertir-se, e o tempo estivesse lindo, e o sol atravessasse o teto de vidro, chegando até as janelas, e você estivesse quase acabando o trabalho; e se, de repente, a porta abrisse e você escutasse a risada de uma moça muito jovem e bonita, que entrou na sala com os olhos fechados, e se, logo atrás dessa moça, uma outra, com os olhos abertos, guiasse a primeira em vários recantos escondidos da biblioteca, e você se desse conta de que se trata na verdade de uma aula de interpretação; e se os sentidos da primeira menina se aflorassem cada vez mais, e ela sentisse cada cheiro, cada canto, cada pequeno som, e você parasse então de escrever para não influenciar na percepção da menina, e se você sentisse o calor daquele sol que brilhou naquela tarde que você mesmo fez esse mesmo exercício, provavelmente quando tinha a mesma idade delas aquele sol de uma aula quente de um janeiro fervente...?

sábado, 11 de setembro de 2010

Tirititando de frío

“Va el verano, o el invierno. Llega la primavera, o el otoño. Ya no importa. ‘Ya no’. La frase queda en suspensión: ‘ya no’. Hace frío ahí, hace frío aquí. Falta algo, algo está tirititando. ¡Una tirita, porfa! Gracias…


‘Y si (…) ¿no pasaría nada, no?’ ‘No, claro que no.’ (un tiempo) ‘Pero no era…?’ ‘Ya no’.


(voces escritas y habladas, dans la tête de celui qui pense)


Creo que estoy de acuerdo en muxxos puntos. Estoy aprendiendo a hablar, aunque no quiera pensar demasiado. Porque pensar en este caso puede llevarnos hacia otro camino, que puede herir. No está muy bien provocar las heridas, pero algunas ya existen, entonces acabo pensando. Me permito. Viajo. Escucho y canto. Y si fuera una fecha especial, ¿podría haberte llamado para que sepas en lo que pienso? Y si lo haga pero no me pueda tardar demasiado, ¿tendrás la dimensión de lo que quiero decir además de las palabras? Sabes que son difíciles, las palabras… siempre ellas, ¿no?


Mis estantes llenas de botellas. Aún mojadas, aún saladas. Se ponen a mirarme y a contarme lo cuanto han nadado.


y han nadado tanto.


y entonces casi llego a comprender. Mis manos me hacen acordar de cuando ellas solas ya eran suficientes para eso.


y repito palabras, y repito ideas. ‘Y sigo pensando…’


Y sigo adelante.”


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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Então, tá.

Queria ter uma história para contar. Mas teria que ser uma boa história, porque se fosse uma história mediana, ninguém ia querer ler. Ou talvez leriam e diriam que não está boa porque é uma história. Talvez dissessem que não sou “pós-contemporâneo” o suficiente. Mas algumas histórias são feitas para serem incompreensíveis e então eu não preciso tentar explicar muito. Isso é o bom do “pós-contemporaneísmo”. Então não vou contar nada. Apenas vou juntar algumas palavras soltas e colocar aqui.


Hum... talvez eu possa começar com o que vejo desde a minha janela, nesta tarde ensolarada de final de inverno gaúcho. Em Porto Alegre faz sol e... ah, não... muito local. Seria necessário buscar a universalidade. Mas o universal vem pelo local, não? Hum...


O vizinho de cima estendeu roupas brancas no varal. Tem uma blusa de cabeça para baixo acenando para mim. No momento que escrevo isso tento não deixar ela ver que estou falando dela.


No cenário à minha frente predomina os tons de cinza, do telhado ao lado e da parede ao longe. Mas uma coisa chama a atenção: um ponto vermelho, no alto desse telhado. É um receptor da antena parabólica vizinha.


Bem, não sei porque eu escrevi isso. Mas talvez alguém leia esse texto daqui a alguns anos e repense sua vida inteira baseado nessas palavras. Nunca se sabe.

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

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