quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Postagem de fim d..., digo, de início de ano.

Acabou! É tetra! Foi-se 2009.

“e o que você fez? O ano termina e começa outra vez”. Ta certo, hoje vivemos os últimos instantes de 2009 com os vários pontos de interrogação que essa época sempre nos traz. Mas, falando sério, “o que você fez?”, ou o que você fará a partir de agora? Você já se deu conta de que o tempo está passando? Bom, e aí? Por que esse texto tem vários pontos de interrogação? Talvez, queridos amigos (dirijo-me especialmente a vocês porque sei que tem que ser muito amigo para continuar seguindo esse blog por vezes tão chato) vivamos uma das fases com mais pontos de interrogação da nossa vida. Ou não. Já tivemos outras e (tomara!) não será a última.

2009 conseguiu ser um ano lindo e foda ao mesmo tempo. Tivemos encontros fabulosos, reencontros fabulosos, nos divertimos paca, contamos piadas sim, rimos sim, nos divertimos quando estivemos perto e quando estivemos longe. Eu, particularmente, fiz amigos incríveis, mantive amigos incríveis, re-contatei amigos que há tempos não via, despertei sentimentos, relembrei coisas, voltei para os meus, deixei-os de novo...

Em 2009 eu coloquei uma amiga num trem, sabendo que seria muito difícil revê-la. Antes de ela subir, nos dissemos “nos vemos amanhã”. Em 2009 eu ia colocar uma outra amiga em um outro trem, mas cheguei dez minutos atrasado porque o horário do trem foi alterado sem que eu soubesse. E eu sentei na estação deserta e chorei. Piegas, não? Às vezes acontece... chorar numa estação deserta, ou chorar na frente de um computador tentando inutilmente balbuciar palavras já sem sentido, simplesmente por não ter chegado a tempo, ou não ter estado a tempo... isso foi 2009.

Voltar a ser criança e brincar de esconde-esconde numa casa deserta? Foi 2009.
Jogar Uno? Também.
Dançar samba, jogar (lutar?) capoeira e participar de eventos socais brasileiríssimos como feijoadas e afins? Sim, até isso! :)

Foi ano de performances, de defesa de tesina, de eventos de improvisação, de Mimo, de cinema, de leituras... de prêmios, de orgulhos, de voltei a ser público.

Foi ano de dizer te amo para o computador. De dizer te amo olhando para baixo e vendo os pés congelarem sobre a neve em noites de cabines telefônicas. De dizer te amo olhando nos olhos, acariciando têmporas, apertando queixo, abafando respirações, acenando de salas de embarque, patinando no gelo, com os olhos brilhando, com os olhos lacrimejando, com os olhos... de dizer te amo com os olhos.

Foi ano de perceber como somos importantes na vida das pessoas, mas não imprescindíveis. E como a vida segue em movimento, pregando peças, confirmando e negando, sempre avançando.

Caramba, até minha mãe descobriu meu blog esse ano! (beijo, mãe!)

Minha frase de Orkut, aquelas que a gente esquece de alterar por muito tempo, dizia “6002, o ano que já começou virado”. E foi virado que ele continuou, com prós e contras, com alegrias e tristezas, com saúdes e doenças, seguindo o caminho natural de uma vida.

E aí, fazem previsões para 2010...
Quer saber como será?
Provavelmente assim, igualzinho, mas totalmente diferente.
Provavelmente poderemos pegar esse mesmo texto o ano que vem e apenas alterar os números que definem o que chamamos de ano.
Vamos rir bastante, vamos chorar bastante, vamos nos irritar, vamos amar, vamos brincar... e por vezes vamos ser felizes.

Porque a vida continua em movimento, e a barreira do trinta-e-um de dezembro é uma ficção que existe para fazer pensar justamente nessas coisas. Costumo comentar que a gente deveria comemorar a entrada de todos os meses do ano, em festas de Réveillon localizadas, para refletir sobre o mês que passou e traçar metas também para o próximo.

Então, que o teu próximo mês seja lindo. Não vou dizer feliz ano novo. Vamos por partes. Feliz Janeiro, e que isso signifique muito. Feliz primeiro de janeiro, que é para termos a consciência de que a vida se vive um dia de cada vez. Feliz próxima hora, que é do que são formados os dias.

Aproveite as horas e era isso.

O que você está fazendo na frente do computador agora?

Sai daí e vai viver, tchê!

Tudibom!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pienso en vos estés en donde estés...

(...) Y en la calle el viento le pegó
y fue el pretexto ideal para disimular
esa tempestad de sus ojos estallando en mar...

(...) Y un ejército de gente balcuceando su verdad,
de cosas estancadas que quedaron por hablar,
historias de no correspondidos,
y de amigos que no están,
de gente que habla sola
y sus palabras abortadas de no hablar.
Historias de no correspondidos,
y de amigos que no están,
de al menos escontrar un email que diga:
"Hola, como estás?"

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Era para ser uma gracinha...

...mas eu confesso que o comercial da Evian me dá um pouquinho de medo.

A idéia até que era boa: a água rejuvenesce o corpo e você fica patinando doidão, o problema é que bebês sinistros não costumam causar-me sede.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Mais um, mais um!

Mais um orgulho, eu quero dizer.



Ursuleta Borboleta fechando a conta e passando a régua no ano primoroso do Teatro Sarcáustico, foi escolhida a melhor atriz coadjuvante do Festival de Esquetes de São Leopoldo. Leia mais no site do grupo.


Parabéns a quem merece! Prêmios são só conseqüências de trabalhos bem-feitos.


Viva!


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Quanto Orgulho!!!

Coisa boa ver quando gente que merece é reconhecida por isso.


Um grande abraço para a equipe do curta Sem Sinal, grande vencedor do Curtas Gaúchos da RBS, em especial aos amigos Vicente, Lefa, Áurea, e a pequena grande Kalisy!!


Lista dos premiados, aqui.


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Self-service


Um grande amigo gaúcho de Santos sempre diz que se ninguém nos chama para trabalhar, a gente sempre tem condições de fazer por conta própria.

Tem sido assim no teatro. E tem dado certo. E se experimentássemos em outros campos...?

¡Suerte!



segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Zé.

Então.
Na impossibilidade de escrever algo neste momento, ainda sobre o choque da notícia, deixo aqui o que o próprio Zé Mário escreveu no seu profile de orkut e que fala bem sobre ele mesmo.

--\\--



"O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o aqui e o agora.

É claro que a vida prega peças.
É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais...
Mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?
Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho?

Tá certo, eu sei, Polyanna é personagem de ficção e hiena come porcaria e ri, eu sei.
Não quero ser cego, burro ou dissimulado.
Quero viver bem.

2008 foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões.
Normal.

Às vezes se espera demais das pessoas.
Normal.

A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou.
Normal.

2009 não vai ser diferente.

Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí?
Fazer o quê?
Acabar com seu dia?
Com seu bom humor?
Com sua esperança?

O que eu desejo para todos nós é sabedoria!
E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!

Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado.
Ele passou na sua vida.
Não pode ser responsável por um dia ruim...

Entender o amigo que não merece nossa melhor parte.
Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3 dos amigos.
Ou mude de classe, transforme-o em colega.
Além do mais, a gente, provavelmente, também, já decepcionou alguém.

O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa para esse momento (lembro-me sempre de um lance que eu adoro: "Cuidado com seus desejos, eles podem se tornar realidade").

Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso.

Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.

Desejo para todo mundo esse olhar especial. (...)"

--\\--

(sem palavras para continuar o post.)

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domingo, 15 de novembro de 2009

Ah! Mais uma coisa:

Hoje, no meio da linha do bonde, duas mulheres brincavam de jogar futebol com um limão.

só isso.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Oásis

Dia de festa, dia de bolo. Às vezes era assim, com todos se reunindo em uma das grandes cozinhas, com um bolo ao centro, comendo e se divertindo.


Naquela noite, o rádio estava ligado, em uma rádio. O locutor falava coisas incompreensíveis e rápidas, em “estrangeiro”, enquanto tocava músicas diversas.


Ele levanta, vai até o bolo e o corta. Não dá atenção ao que se passa no aparelho, apenas cantarola em voz baixa a canção que está em sua cabeça:


Today is gonna a ...


É uma noite especial. Amigos reunidos. Sabia que essa situação, com todas essas pessoas assim, ao mesmo tempo, não se repetiria mais. Tinham pouco mais de um mês e tudo se acabaria.


By now you should’ve... realize la la la la la...


De certa forma, é um daqueles momentos em que, apesar de regretar a falta que vão fazer uns aos outros, relevam. E conversam. E se habituam que a vida é assim mesmo e deu.


Because maybe... you will gonna la la la la save me… and after all…


E pensava em tudo isso. E escutava os ruídos ao seu redor. Vozes cruzadas, risadas esparsas, o rádio tentando uma brecha na atenção, os talheres nos pratos... E de repente a música que martelava na sua cabeça ganhou corpo (e ele até fez uma pausa nas reflexões para lembrar o quão forte era o poder do pensamento). E de repente aquela batida de violão ficou cada vez mais concreta. Pam, pam, pam...


Emergindo de si mesmo, tal como quando se sonha e se é resgatado lá das profundezas subitamente no meio da madrugada, ele olhou para o rádio (há quem diga que o rádio, se tivesse olhos, também teria olhado para ele. Há outros ainda que dizem que sim, os rádios têm olhos) e entre os dois se estabeleceu um jogo de cumplicidade. O rádio, encarando-o de frente, pronunciou sua sentença:


Today is gonna be the day...


Num salto ele desperta. Olha para todos à sua volta. “Vejam”, ele fala baixinho, “o rádio... essa música... eu estava agora, enquanto cortava... vocês viram isso...?” Mas os outros continuam suas conversas sem escutá-lo. Ele olha firme para cada um, procurando um traço de cumplicidade. “A música, essa...” E todos conversam, e riem, e fumam.


Apoiada nos cotovelos, lá do outro lado da mesa, ela sorri para ele. Quando seus olhos se cruzam, ele entende que ao menos uma daquelas pessoas presenciara o momento. Ela faz um gesto afirmativo, quase imperceptível, com a cabeça.


E ele baixa a sua e recomeça a cortar o bolo. Como um segredo invisível – ou visível demais para ser visto? –, a voz misturada com a batida cadenciada toma o espaço e completa a magia do momento.

sábado, 7 de novembro de 2009

Lista Básica

Fernanda Young, no twitter, listando os dez motivos pelos quais posou para a Playboy. Gosto particularmente da nove.

1) “Salvar o erotismo das mãos da breguice”
2) “Não devo nada a ninguém”
3) “Em alguns lugares do mundo, mulheres ainda são obrigadas a tampar seus corpos”
4) “Vingança pura e simples”
5) “Nos meus livros, eu me exponho mil vezes mais”
6) “Vou fazer 40 anos ano que vem”
7) “Irritar a minha mãe”
8) “Estou me lixando para o que os idiotas vão achar”
9) “É a primeira vez na história que a coelhinha da Playboy tem 8 romances publicados”
10) “Não existem ex-BBBs suficientes (aleluia)".

E arremata, numa entrevista:

"Não quis fazer arte, não é arte. Acho um saco isso. É bem feito, é bem cuidado, mas é erótico."

Me faz pensar nestes limites entre arte e erotismo. Na polêmica levantada pelo Pedro Cardoso e também na briga das (pigarro) "atrizes" pornô contra as prostitutas.

Inteligente, essa Fernanda.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sobre como a vida é.

“Realmente só existe um momento, que é agora mesmo. E é a eternidade. E é o momento onde Deus nos faz uma pergunta, que é basicamente esta: ‘Queres ser eterno? Queres estar no paraíso?’ E nós dizemos ‘Não, obrigado, ainda não...’ Então o tempo é este constante dizer não ao convite de Deus. Isto é o tempo. Não seria o ano de 50 d.C. mais importante que 2009, entende? Só existe um momento, e é nele que sempre estamos. Isto é apenas a narração da vida de cada um, mas aparte disso, não existe mais que uma história, que é a história de passar do não para o sim. Toda nossa vida é ‘não, obrigado. Não, obrigado.’ E finalmente ‘Sim, eu vou ceder. Sim, aceito. Sim, abraço.’ Esta é a viagem. Todos cedem ao sim finalmente.”


Waking Life


Minha avó foi a senhora mais ativa que eu conheci. Levantava cedo, caminhava a cidade inteira catando goiabas para fazer goiabada. Em fogo de chão. Brincávamos dizendo que era o seu caldeirão de bruxa. As melhores goiabadas de Osório, quiçá do RS. Incansável, cheia de dores depois, e com mania de deixar de comer doces na véspera das consultas médicas, para baixar a glicose.


Não tinha doenças. Tá certo, estava em idade avançada. Com 82 anos é normal alguns problemas da idade. E foi isso que me bateu em cheio. De certa forma, quando alguém passa dos oitenta, acho, as pessoas ao seu redor se dão conta que cedo ou tarde vão ter que enfrentar o inevitável. Mas a gente acha sempre que será o organismo que não irá agüentar, que alguma doença invadirá este frágil corpo e lhe prejudicará de alguma forma.


Mas não foi assim.


Foi rápido, foi inesperado, foi acidental. Uma rua, um carro... bom, a família já conhece este filme, já ouviu esta música. E agora estarão juntas nossas duas crianças, uma de doze, outra de 82, ambas quitadas prematuramente do nosso convívio.


--\\--


Saindo da sua casa, a última vez que falei com ela, me veio com um pote de goiabada. “Ia te dar esta goiabada, mas eu não sei se tu podes levá-la lá para onde tu vai.” Minha resposta, sorrindo: “Nem te preocupa, vó, nestes três dias que antecedem a viagem vou dar um jeito de acabar com ela”. Hoje, acrescentaria: “Vó, eu não sei para onde tu vais, mas tenho certeza que nunca há de faltar uma goiabeira e um fogo de chão para a senhora mimar os que estão por perto, como sempre fizeste conosco. Um beijo.”

domingo, 1 de novembro de 2009

Sincero

Poucas vezes presenciei manifestações tão sinceras por parte do público. Numa Europa em que se volta para agradecer três vezes, não importando a qualidade do espetáculo, o ato de aplaudir acaba diminuído e perde o próprio sentido do aplauso – se eu estivesse em cena nesse momento, não saberia se gostaram mesmo ou se estão apenas cumprindo uma obrigação.


Mas ali foi sincero: na nossa frente, o grupo boliviano Teatro de los Andes. A gente ali, em pé, mãos em carne viva tentando demonstrar-lhes o quanto foi importante a obra que acabamos de presenciar. Já são cinco as vezes que voltaram para agradecer. Um som grave começa a ser escutado na sala. Nos damos conta que, por necessidade de demonstrar realmente o quanto foi importante esse momento, somente palmas não são suficientes. É preciso acrescentar os pés. É a multidão bate pés. E o resultado se vê no rosto (e no riso) de cada ator. E de cada “público”.


Único. E sincero.


(Tentei, aqui, escrever um pouco do que foi esse espetáculo. Boa leitura para quem for).

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pobrezinho do coelhinho!

Poucos somos os 'number one'!



Grazie, signor Simioni!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

¡Hola! Por favor, ¿Cuanto sale el kilo de la naranja?

To até agora tentando dizer esta frase, mas depois de repeti-la mais de vinte vezes ou a gente dá um soco na parede ou morre de rir.


eu morro de rir.


e é por isso que não consigo.

domingo, 25 de outubro de 2009

Bah... xe pas... peut-être hããã...

Um homem entra sem querer no meio de uma leitura dramática. No início os atores estão colocados como bonecos e alguém tira o pó que está sobre eles. No final, perdia a última folha e não conseguia dar prosseguimento à história. Eu era, na peça, um cantador que cantava muito mal, mas eu não sabia que ele cantava mal: eu cantei mal porque era só assim que eu conseguia. Um cara que parecia o chefe disse que se eu pagasse dez reais poderia sair. Eu dizia para ele me conseguir o arquivo da última folha que eu imprimiria uma cópia para ele. Eram vários atores e apenas uma cena para cada um. Se passava no nordeste, todos liam com sotaque. Eu nunca sabia qual o momento de entrar porque não tinha ensaiado, não sabia qual era o meu personagem. O texto era desconstruído, não havia lógica no que estava sendo dito.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Perdendo tempo (e medos) em apostas

Well it's been a long time, long time now
Since I've seen you smile
And I'll gamble away my fright
And I'll gamble away my time
And in a year, a year or so
This will slip into the sea
Well it's been a long time, long time now
Since I've seen you smile



Nobody raise your voices
Just another night in Nantes

sábado, 17 de outubro de 2009

Quem? Ou o quê?

Derrida, entre o amor e a morte, entre o qui e o quoi, indicado por madame Quoi:

adlfj çaj dsjfc kjcklsj cx!

(na impossibilidade de integrar o vídeo, lhes deixo o link. C'est la vie... ou la mort, ou l'amour... ¿Vale?).


domingo, 11 de outubro de 2009

Era uma vez uma escova de dentes que queria ser útil ao mundo.

Era uma vez uma escova de dentes que queria ser útil ao mundo. Queria limpar pelo menos uma partezinha do corpo de ao menos uma pessoa no mundo e assim fazer sua parte para o bem-estar social. Acreditava que se cada um fizesse sua parte, o mundo inteiro sairia ganhando e todos seriam higienicamente perfeitos. Sonhava com o dia em que ia adentrar o supermercado aquela pessoa especial pela qual seu coraçãozinho de escova bateria mais forte, a olharia de um jeito especial, e sem hesitação a pegaria e levaria para casa, onde encontraria um lar ao lado de uma pasta e um sabonete líquido. Seria perfeito!


O homem que como um bom homem não estava prestando atenção ao seu entorno, entrou no corredor errado. E se viu perdido no meio das gôndolas. Olhou para o lado e viu uma escova de dentes sorrindo, com cara de cachorro do lado de fora da vitrine. Lembrou-se que, bom homem que era, não trocava de escova havia dois anos e meio. Pegou-a.


Sim, o coraçãozinho bateu mais forte.


Chegou em casa e a largou na pia. A pasta ao seu lado estava toda torta, sinal de que tinha sido apertada muitas vezes e em todos os sentidos. O sabonete não era líquido, e sim em barra. Como já tinha sido prevenida, a escova constatava que realmente o mundo não era perfeito. Mas o sabonete gasto e a pasta apertada lhe davam os sinais necessários para entender que cada um estava sim fazendo a sua parte. E isso lhe dava esperança.


Estava ansiosa para começar seu trabalho, mas o homem, como bom homem que era, foi dormir sem escovar os dentes. Ela, ao contrário, quase não dormiu aquela noite de tão nervosa.


Naquela manhã, o homem levantou sonolento, foi ao banheiro, cumpriu seu ritual diário frente-privada e baixo-chuveiro, passou e repassou frente ao espelho, ajeitou seu cabelo, saiu, voltou, saiu de novo, vestiu-se, comeu e calçou-se enquanto um par de olhos atentos e ansiosos o mirava.


Estava começando a se atrasar. Estava atrasado. Estava muito atrasado. Ao sair de casa, deu um tapa na testa e disse Putz, esqueci de escovar os dentes (e não escovei ontem, e blá blá blá...). Voltou correndo, pegou a escova nova e a pasta amassada, amassou um pouco mais esta última, colocou o sumo sobre a escova e a levou a boca.


Neste momento, do ponto 1 (pia) ao ponto 2 (boca), a velocidade inicial do objeto 1 (mão + escova) foi muito superior a do objeto 2 (creme dental), que estava sobre a escova, permanecendo, este segundo objeto, em inércia. A velocidade de aceleração elevada fez com que o creme dental não conseguisse se segurar e caísse na pia, ao lado do ralo.


Ao colocar a nova escova na boca, o homem teve aquela sensação de estranheza provocada por escovas novas. Cerdas mais durinhas, espaço de contato um pouco reduzido. Olhava para si próprio no espelho, enquanto a água da torneira que tinha deixado aberta (como bom homem que era) levava embora o creme que deveria estar em contato com seus dentes lhe proporcionando um hálito fresco e uma limpeza profunda, como recomendado pelos dentistas.


No andar de cima, o vizinho que não trabalharia aquela manhã despertou com um grito vindo de baixo: Que merda de escova! Nem espuma não faz! Mas logo dormiu, porque não era com ele.


Dentro de uma cesta, dividindo espaço com papéis higiênicos usados, a escova ainda não tinha entendido o que tinha acontecido. Mas já a tinham prevenido que a vida era assim, e que depois disso, tudo recomeçaria em um outro plano, uma nova vida, onde nem se lembraria de seus tempos de escova. O que viria agora, ninguém sabe. Sonhando em virar um carrinho ou uma flor de plástico – ou quem sabe um relógio, ou uma capa de CD, por que não? –, fechou seus olhos e adormeceu.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Pitacos de Canto

A sensação de ver um espetáculo no qual você trabalhou como ator sendo feito sem você é, no mínimo, curiosa. A impressão que se tem é a de que você saiu do seu corpo no momento em que fazia o espetáculo e começou a observar de fora, como naqueles filmes onde o cara sai do corpo e começa a observar de fora, sabe...?

E aí, muitas coisas ganham nova dimensão através da visão deste que inusitadamente assiste ao trabalho. Porque este conhece os detalhes da peça, as virtudes e os defeitos de cada ator, sabe quem está substituindo quem, sabe onde corre-se o risco de desafinar ou falhar na acrobacia, torce a cada momento, surpreende-se com uma nova intenção de texto dada pelo antigo colega de cena, ri e canta junto, batuca na perna... e dá pitaco. Então, longe de querer fazer uma crítica, quero apenas falar do que vi. O que orgulhosamente vi e que me fez sentir um espectador especial deste belíssimo espetáculo que é o Canto de Cravo e Rosa, no último dia 29.


Um ponto altíssimo desta temporada é o retorno de Viviane Juguero ao papel da Rosa. Encarando o papel de mãe durante algum tempo, não pôde estar presente no último ano de trabalho. A atriz que a substituiu o fazia muito bem, mas a questão é que a Vivi traz um certo brilho para a Rosa, uma clareza de fala, de voz (e que voz!) que é fundamental à personagem. Por outro lado, se a Vivi é uma excelente cantora, como atriz ainda tem um certo caminho a percorrer. O que me deixa muito feliz é perceber que, mesmo com tantos anos de carreira, as fichas continuam caindo e seu trabalho continua evoluindo. Acredito ter presenciado uma apresentação muito interessante, pois após as palavras de Antônio Hohlfeldt sobre o espetáculo, a atriz deu mais atenção à sua “máscara facial” e está encontrando as sutilezas de sua personagem de forma muito mais concreta.

Sutileza, aliás, que pode ser a palavra que define a evolução de Ana Cláudia e Éder RosaS no espetáculo. Nota-se que a aranha e o sapo estão muito mais à vontade em cena, encontram as sutilezas necessárias para que o público os compreenda bem. E a Aranhosa está desafinando como nunca! (o que – para quem não viu a peça – é um baita elogio, hein?).

Mas existe um porém nessa história toda, até porque nem tudo são rosas (nem cravos, com o perdão do trocadilho infame). Falta precisão nas ações dos atores, o que é algo de fundamental para que tudo funcione bem. Note-se que a precisão que eu aponto aqui não é somente do lado físico, mas também do lado vocal. O cravo Rodrigo Marquez – que está aos poucos descobrindo seu personagem – passa muitas vezes batido pelo texto, pelas intenções, pelas sutilezas que lhe dariam uma nova dimensão. Os gestos que executa carecem de intenção para que se transformem em ações físicas. E aí eu chamo muito a atenção para dois atores secundários que compõem maravilhosamente bem o elenco: Diego Neimar e Ravena Dutra. Eles aproveitam cada segundo em cena, trabalham com as mínimas ações possíveis. Diego brinca com o chapéu que o Cravo lhe lança durante a briga ao mesmo tempo que toca violão. Ravena não dá um só passo em falso ao longo de todo o espetáculo. Tudo o que ela faz está estudado, previsto, e recheado de intenções: um exemplo que deveria ser seguido pelos colegas.

Essa precisão de movimentos, de texto e de intenções é um excelente gancho para falarmos das acrobacias presentes no espetáculo. Isso porque às vezes ela perde sua função de corporificar o drama: a caça do Sapo à Aranha, a dor do Cravo, a surpresa do encontro da Rosa com a Aranha, a luta acidental entre o Sapo e o Cravo... Cada cena, cada movimento acrobático presente na peça foi pensado, discutido, articulado para que materializasse o conflito daquele momento. E uma simples execução pode dar a impressão errônea de que existem acrobacias demais e sem função, o que não é verdade em nenhum sentido.

Se meu pitaco se estendesse ainda à direção do trabalho, eu pediria para o Jessé Oliveira rever o início do espetáculo, que possui vários “falsos começos”. Pude perceber, estando dessa vez na platéia, que apesar de ser muito interessante como ambientação e despertar o interesse da criançada, a passagem excessiva de todos os personagens pela cena acaba colaborando para dispersar a atenção justamente por se estender demais.

Agora, se eu pudesse deixar aqui registrado o pitaco oficial deste que fez parte do processo de criação do espetáculo e tem muito orgulho do que viu como público, eu diria que, principalmente nesta peça, fazer teatro é brincar. Uma imagem, um gesto, uma intenção... tudo pode ganhar dimensões diferentes somente a partir da brincadeira. O espetáculo é uma cantiga, os atores estão (quase) em roda, e se a necessidade básica for a de se divertir, o resto (amadurecimento dos personagens, nuances, precisão) será conseqüência dessa diversão.

O mais importante é que o espetáculo avança, cresce cada vez mais. Olhando de fora, sinto aquela sensação de recompensa que temos quando olhamos para traz e vemos a linda história da qual fizemos parte.

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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Jogo da vida

O documentário de Julián Alterini sobre a gripe segue aí. Vejam com atenção, tirem suas conclusões.


Clique aqui e escute uma entrevista com o autor.

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sábado, 1 de agosto de 2009

Não é desculpa

Quantas vezes você foi ao teatro esse ano?

Você saberia dizer o porquê de este ser um número tão baixo?

De acordo com a reportagem de Maria de Luna, publicada no Guia da Semana, do site Hagah, o fato de as pessoas não irem ao teatro está diretamente relacionado com o “alto preço” cobrado pelos ingressos. O que Luna esquece de contar é que existem muitas e muitas opções que envolvem um gasto financeiro muito baixo – ou mesmo nulo – para aqueles que querem ir ao teatro.

“Frequentar a cena cultural das cidades deveria estar ao alcance de todos, mas infelizmente não é o que ocorre na prática, principalmente, quando o assunto é teatro. Os altos preços - como 50, 80, 100 e até 200 reais por um ingresso - impedem que a grande maioria da população usufrua do que é um direito básico: cultura e lazer.”

Em Porto Alegre, por exemplo, existem vários projetos que liberam a entrada ou baixam tanto o preço a ponto de cobrar um valor irrisório. E isso, ao contrário do que se poderia pensar, não significa que o trabalho em questão é mal feito – apenas que ele está inserido em um projeto que o financia justamente para que o público não tenha que arcar com essa despesa. Se isso funciona? Bem, na minha opinião, não. Mas isso é assunto de um próximo texto. Além disso, mesmo pagando ingressos que vão de 50 a 200 reais, como citado no trecho aí acima, vamos encontrar muitas coisas que não valeriam meio ingresso de uma peça gratuita. Então, preço não é sinônimo de qualidade.

Só para citar alguns desses projetos, podemos lembrar que eles estão presentes desde o teatro amador (Projeto Novas Caras, da prefeitura porto-alegrense, e Teatro, Pesquisa e Extensão, da UFRGS, por exemplo, que têm entrada franca), até o teatro profissional, através de financiamentos públicos – é o caso dos cinco espetáculos apresentados em comemoração ao aniversário do grupo Teatro Sarcáustico, ou da programação permanente da Usina do Gasômetro, por exemplo, que sempre conta com espetáculos gratuitos realizados pelos grupos que a ocupam.

Vamos aos fatos: Hoje, em Porto Alegre, tirando os espetáculos com entrada franca, você pode ir ao teatro pagando a partir de 12 reais. O preço sobe de acordo com a procedência do espetáculo e o teatro onde está (espetáculos gaúchos raramente transpassam 30 reais, espetáculos em excursão, que ficam apenas um final de semana na cidade, transpassam, e bastante). Agora: não é engraçado como um teatro que cobra mais de 80 “pila” está sempre cheio e o que cobra 12 não? A resposta é: não, não é engraçado. Até porque se você for estudante ou maior de 60 anos, você tem grandes chances de pagar apenas 6 reais neste teatro que já é barato (porque as produções que ocupam estes teatros se preocupam em facilitar o acesso deste público todos os dias da temporada. Vai tentar pedir 50% de desconto ali no teatrão conhecido, vai...). O resultado é que a produção local, por melhor que seja, acaba sendo menosprezada pelo público justamente por não ser conhecida.

Ora, a título de comparação, uma entrada em uma casa noturna não sai por menos de R$ 15,00 e não são raros os lugares que cobram mais de R$ 8,00 por uma cerveja long neck – e as festas continuam acontecendo.

A pergunta a seguir pode até parecer forçada ou tendenciosa, mas: Por que as festas continuam acontecendo e os espetáculos correm sempre o risco de serem cancelados? (sim, você já viu festa cancelada por falta de público?).

De acordo com a opinião de vários artistas com os quais tive a oportunidade de discutir sobre o assunto, um dos fatores é que “o público” não tem o hábito de ir ao teatro. Assim, não prestam atenção na divulgação teatral local e só vêem o que a grande mídia mostra: os espetáculos grandiosos, com alto poder de divulgação e a presença de atores conhecidos – que normalmente têm um custo muito alto e por isso precisam subir o preço dos ingressos.
Enquanto as pessoas continuarem achando que não podem ir ao teatro por motivos financeiros, os artistas que trabalham a preços acessíveis são prejudicados pela idéia pré-concebida de que teatro é caro e de que preço é critério definidor de qualidade.

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A propósito:

1) Prestem atenção às palavras do diretor da Cia Antropofágica, no texto de Maria de Luna.

2) Vem aí o Vale-Cultura. Bom ou ruim? Leia isso. Depois este texto. Depois este. E este.

3) Acessem o Hagah e tentem encontrar o que, de porto-alegrense, está em cartaz.

sábado, 27 de junho de 2009

“Quem quer ser um bom ator bota o dedo aqui...”

Direto ao ponto: esta semana reli um artigo, escrito no ano passado, que a meu ver é péssimo. Com um título total equivocado e algumas afirmações no mínimo... hum... estranhas... Não vou comentar muito, só dizer que não concordo que no cinema o ator explora “a transparência das emoções através do pensamento”. Também não concordo com a afirmação de que para ser um bom ator é preciso saber escrever um currículo e entrar na panela certa – isso faz parte do mercado que o ator é obrigado a enfrentar, não das qualidades de um ator. Em tempo: a expressão “mas se o objetivo for simplesmente ser um artista” não será comentada agora. Bom, dito o que eu não vou comentar, você pode ler o artigo aqui no Terra.


O que acontece é que fiquei pensando no assunto, e encontrei algumas coisas interessantes ditas por pessoas com um pouquinho mais de X do que eu. Segue alguns trechos do livro Mise-en-scène et jeu de l’acteur, onde Josette Féral entrevista uma galera do teatro.


1) Gabriel Arcand fala sobre a formação e o papel de uma verdadeira escola:


“Se a escola conta com professores competentes ela certamente pode ser importante. Infelizmente as escolas especializadas visam muito o ‘mercado de trabalho’. Então elas trabalham os alunos de tal forma que eles possam antes de tudo aparecer bem nos meios onde podem procurar trabalho, ou seja, primeiro a televisão, depois a publicidade, o teatro institucional, etc. Ao invés de desenvolver sua curiosidade, solidificando-os como artistas e como seres humanos, elas perpetuam estereótipos e modelos fundados sobre a cultura de emoções fáceis e superficiais. Isso é um problema, porque no fundo a escola é o primeiro lugar onde se deve iniciar um senso de qualidade no julgamento do aluno. Se as remarcas do aluno são medíocres e frágeis, essa fraqueza ressurgirá constantemente na sua prática e no seu julgamento. Ele vai atuar como ele pensa, ou seja, com moleza e de maneira estereotipada.”


2) Acabando a entrevista com Eugênio Barba :


FÉRAL : Duas perguntinhas finais. Primeiro: de acordo com a sua opinião, quais são as qualidades fundamentais de um ator?

BARBA: A paciência e a obstinação.

FÉRAL: Se um jovem ator viesse falar com você, quais conselhos você lhe daria?

BARBA: Eu diria que ninguém pediu para ele exercer essa profissão e que, para isso, é preciso uma justificativa que transcenda sua ambição e sua vaidade.


3) Acabando a entrevista com Ariane Mnouchkine:


FÉRAL: Você havia afirmado, há algum tempo, temer que logo logo não saberemos mais o que é um ator. Esse temor ainda existe?

MNOUCHKINE: Sim. Quando eu vejo televisão eu me repito isso. Quando chamam alguém de ator e eu olho o que ele faz, eu me digo que estão enganando o público e que logo esse mesmo público não saberá mais distinguir o verdadeiro do falso.


Ela continua, dizendo que é preciso formar verdadeiros atores, exigindo formações verdadeiras e sempre se lembrando de o que é a arte do ator.


Bem, isso se ele optar por ser simplesmente um artista.

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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Inusité

Se você fosse para algum outro país teoricamente mais desenvolvido, você tentaria trabalhar na sua área, fazer peças, filmes, entrar em algum elenco, ou simplesmente defender seu trabalho de Master I na próxima semana (sim, dia primeiro às 14h. Torçam por mim...).


Agora, inusitado mesmo é você acabar numa exposição na... Ucrânia!!! Sim, graças ao meu amigo Riccardo Fisichella, um ragazzo italiano e fotógrafo dos bons, lá estaremos a partir do dia 10 de Julho, não fisicamente, mas fotograficamente.



Riccardo participará da exposição Lomo Sapiens, na cidade de Kharkiv, com dez fotos, que podem ser conferidas aqui.


Se você clicar na fotito aí acima, que faz parte da mostra, será diretamente encaminhado ao site do ragazzo. Boa viagem.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

"Não tem importância"

Se você já sentiu uma pancada não física, o corpo tremendo, a voz descontrolada, a respiração descompassada. Se você já teve a certeza de poder derrubar uma parede com um só golpe de mãos, de pés, de bunda, de joelho, de cabeça, de peito, de peito, de peito. Se você já sentiu que poderia chutar, gritar, cuspir, morder, chorar, espernear, atirar um violão na parede. Se você já quis gritar para acordar “não só a tua casa, mas a vizinhança inteira”. Se você chegou a não controlar o ritmo das batidas do seu coração. Se você precisou esticar as pernas enquanto estava sentado, sentindo o corpo inteiro tremer. Se você tentou respirar fundo e não conseguiu. Se você tentou usar a lógica e não conseguiu. Se você tentou levantar e não conseguiu. Se você tentou controlar os movimentos do seu braço e não conseguiu. Se você tentou controlar as lágrimas e não conseguiu. Se você tentou falar e a voz não saiu. Se você tem certeza de que ninguém além de você poderá compreender o que está acontecendo. Se você não está compreendendo o que está acontecendo. Se você se deu conta de que não tinha nada que pudesse ser feito. Se você se sente imóvel, amordaçado, impossibilitado. Se você sente. Então você sabe do que eu estou falando.

terça-feira, 9 de junho de 2009

(...)

...e ele olhou para o junho. E o junho olhou para ele.


- Já...?

- Já.

- Mas eu não posso te reconhecer assim, nessa forma.

- Deixa comigo.


e no outro dia choveu e esfriou. E ele desejou ardentemente um grão de pipoca e um gole de quentão.

domingo, 7 de junho de 2009

Cache-cache


Pegue várias crianças de várias nacionalidades e as jogue dentro de uma casa vazia. Uma casa enorme, durante a noite. Imagine que só escurece mesmo depois das onze e então deixe essas crianças ali, na madrugada, luz apagada, se aventurando por entre corredores e escadas, terraços e jardins, aguçando a percepção, disfarçando a respiração, tentando caminhar sem fazer barulho, correndo e escorregando nas várias pedrinhas do caminho, encolhendo-se em cantos obscuros, descobrindo e sendo descobertas, gritando e correndo.


“Um dois três fulano!”


“Shhh... eu não to aqui, eu não to aqui...”


“Vai que eu te dou cobertura!”


E não seriam, certas noites, feitas para ficar na memória?

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